Você já parou pra pensar como alguns objetos em especial têm o poder de nos encantar de forma diferente? Algumas coisas parecem dotadas de um poder mágico que nos faz criar uma relação de apego por elas.

Por experiência própria, suponho que você, leitor, possua pelo menos um objeto do qual você simplesmente não se desfaz. Muitas vezes esse objeto mora no nosso guarda-roupas. Pode ser uma simples blusa, um vestido, o frasco (vazio) de um perfume, um brinco (mesmo uma bijuteria). A gente quer que aquela peça esteja ali sempre diante e acessível aos nossos olhos para o momento que a gente quiser despertar as emoções e/ou lembranças que ela traz. São peças com o chamado “valor emocional”. Aquela velha peça de roupa pode ser a forma mais fácil de se reencontrar com alguém que não temos agora por perto.

De igual forma, há objetos que ainda não possuímos mas que integram a nossa “lista de desejos”, nossos “sonhos de consumo”. Por alguma razão, alguns objetos nos seduzem. Estabelecemos com eles uma relação praticamente fetichista. Essas “coisas” são dotadas de valores que transcendem aqueles inerentes a sua identidade e funcionalidade essenciais; possuem significados de níveis bem mais complexos. Os significados que atribuímos a alguma coisa são subjetivos, estão na nossa mente e são fruto das nossas vivências. Então, assim como alguns objetos  antigos nos reportam à lembranças de tempos passados, algumas novidades carregam igualmente a promessa de nos levar para um momento futuro ou então simbolizam a realização de uma fantasia presente.

Quando reconhecemos em um objeto os significados e simbolismos que povoam o feérico de nossas mentes, está estabelecida a promessa de realização de algumas de nossas fantasias! O sentido mágico e imaterial de um artefato tem o poder de dar forma às ideias; expressa de forma concreta e palpável algo que foi concebido por nossas emoções e pensamentos. O filósofo Gilles Lipovetsky afirma que “as relações que mantemos com os objetos já não são de tipo utilitário mas de tipo lúdico”.

Essas “coisas mágicas” normalmente são aquelas que carregam um status diferente. Verdadeiro amuleto, o objeto de nosso desejo contém a promessa de realizar as fantasias que criamos em torno dele. Podemos ter uma bolsa preta, mas podemos ter a 2.55 da Chanel! Podemos sonhar em comprar um belo automóvel, mas podemos nos imaginar dirigindo um Porshe ou uma Ferrari. Podemos querer um scarpin poderoso, mas podemos desfilar um incrível Loubotin. Esses objetos todos expressam algo diferenciado, há uma esfera de valores intangíveis que essas coisas especiais nos entregam. Não é só uma bolsa, é “A Bolsa”. Não é só um carro, é “O Carro”.

São coisas, produtos, marcas, artefatos e objetos que mexem com nossos sonhos, ambições e lembranças em razão dos atributos intangíveis dos quais estão investidos. Eles entregam muito mais do que a funcionalidade à qual se destinam: entregam status, poder, beleza, autoridade, aprovação, pertencimento, luxo, compromisso, carinho, etc. Isso não é bom nem mau. Pode ser saudável ou doentio de acordo com a essência daquilo que está sendo cultivado.

Isso é determinante nas nossas relações de consumo. Quando compramos aquele X objeto – que na nossa cabeça não pode ser substituído por nenhum outro similar – está realizando-se a satisfação emocional que ele representa. Por isso mesmo, nossas escolhas precisam guardar compromisso com nossa identidade. Afinal, cada vez mais precisamos adotar um comportamento de consumo consciente e maduro. A fim de que não nos tornemos vítimas da efemeridade da moda.

Encontrar objetos – sejam eles roupas, itens de decoração ou quaisquer coisas – que venham ao encontro de nossos significados especiais faz com que realizemos o compromisso de afirmação da nossa identidade e, bem por isso, serão objetos que permanecerão em nossa vida por mais tempo.

Quais são seus tesouros especiais guardados só onde você sabe? Quais são seus desejos de consumo? Tenha certeza, essas respostas dirão muito mais sobre você do que você imagina!

 

Por Raquel Martins

 

COMPARTILHAR