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Pré-requisito do modelo de produção da Alta Costura da Moda, o modo artesanal de se fabricar os mais variados produtos de consumo vem sendo cada vez mais valorizado – pelo mercado e pelo consumidor.

Apontado como uma forte macrotendência por Cool Hunters (pesquisadores de tendências) do mundo todo, a (re) valorização do artesanato ganha notoriedade e expressa-se como um dos movimentos do espírito do tempo contemporâneo – dado esse um tanto paradoxal quando se tem em vista o deslumbrante arsenal tecnológico à disposição do ser humano. De posse dessa informação, os grandes nomes da Alta Costura e também grandes marcas do mundo todo vêm cada vez mais imprimindo os traços handmade em suas criações, pois o artesanato torna as produções únicas, exclusivas, com muito mais expressão de identidade e autenticidade.

A construção artesanal de objetos – sejam eles itens de moda para uso pessoal, ou para decoração de ambientes, móveis e etc. – é uma das mais originais formas de manifestação cultural de um povo: sua cultura material expressa sua identidade no espaço-tempo onde está situado.

A demanda pelo trabalho feito à mão vem sendo confirmada (e comemorada!) pelo mercado principalmente pelo expressivo número de sites que comercializam produtos com design autoral e independente, fabricados de modo artesanal e em pouca quantidade – verdadeiro case de sucesso. Isso se deve, em grande parte, pelo novo comportamento na relação oferta X demanda que valoriza esse modelo de produção: de um lado há um consumidor buscando fragmentos de sua identidade e também exclusividade nos produtos que consome; de outro, há um criador/artesão querendo expor e ofertar no mercado a autenticidade de suas criações.

Nesse sentido, os primeiros movimentos de mercado puderam ser constatados com a criação do Etsy – e-commerce criado em Nova Iorque que reúne itens de moda e decoração feitos à mão, design gráfico alternativo e vintage, distribuídos e ofertados em minilojas virtuais de artesãos e designers do mundo todo. O produto handmade conquista novos valor e significado para o consumidor online que deseja se diferenciar usando peças únicas, de pequenas marcas ou de um artesão “anônimo”. Além disso, saber quem manipulou o produto, sua história e quem vai receber o pagamento faz diferença para esse consumidor. É o artesanato considerado em sua forma de manifestação cultural, como novo nicho de mercado ou mesmo como complemento de renda. No Brasil, o site Elo 7 exemplifica esse modelo de negócio.

A valorização do trabalho feito à mão revela o artesanato como movimento de vanguarda que tende a ser explorado e ganha mais força no mercado. Há que se considerar também que hoje o mercado fornecedor de matéria-prima para produção artesanal também contribui, e muito, para o crescimento desse movimento. O novo artesão tornou-se mais exigente com o material empregado em suas criações e possui vasto acesso ao, também “novo”, mercado fornecedor. Do ferramental à matéria-prima propriamente dita, tais suprimentos ganharam essência e contornos muito mais modernos que possibilitam ao artesão do século XXI a visita e releitura de técnicas clássicas e tradicionais do passado, mas agora com um aparato mais moderno, o que resulta em criações diferenciadas que carregam o espírito do tempo contemporâneo.

O conceito artesanal na produção de moda vem sendo revalorizado justamente por mover-se junto de conceitos que estão entrando em obsolescência no mercado moderno: a produção em série possibilitada pela industrialização impõe uma padronização, prejudicando a singularidade das pessoas. O momento exige privilegiar a individualidade, a diferença. E o artesanal vem com uma bossa diferente possibilitando exclusividade e personalização. Podemos consumir roupas e acessórios diferenciados com um estilo peculiar. E esse é provavelmente o despertar de uma necessidade humana atemporal que veio pra ficar!

Por Raquel Martins

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