Diversidade. Certamente uma das palavras mais pronunciadas ultimamente e que fez de 2017 um ano de extremos, contrastes e questionamentos que puderam ser sentidos no âmbito político, social, econômico, religioso… A pluralidade e as diferenças quiseram e fizeram muita força para aparecer no cenário social desse ano.

Diversidade nos incumbe ao respeito à diferença, ao novo; e indaga de fato o que se considera “normal”. Normal por quê? Normal para quem? A consciência sobre diversidade nos encaminha para a quebra de paradigmas e encoraja o questionamento; suscita novas respostas para velhas perguntas e vice-versa. Falou-se muito em 2017 sobre cor da pele, gênero masculino x gênero feminino e até o não-gênero, padrões de beleza idealizados, novos modelos de família, dentre tantas outras polêmicas. Esses debates mexem muito com nosso ego – e com o ego coletivo (social) também. Estamos afirmando que queremos
ser uma sociedade com espaço para a autoafirmação e, de fato, caminhamos para essa conquista.

E já que Moda é sinônimo de comportamento, aqui a diversidade começa se fazer sentir. Cientificamente, Moda é um fenômeno comportamental de abrangência coletiva que possui periodicidade cíclica e caráter efêmero. Ou seja, torna-se moda aquilo que um grupo de pessoas passa a fazer (ou usar) e isso dura um período de tempo determinado; depois passa.

Nas últimas décadas passamos a usar coisas ou adotamos algum comportamento sob a influência da moda. Entramos no barco de algumas tendências simplesmente “porque estavam fazendo”, com o objetivo do pertencimento. Com o despertar para as diferenças – e também porque desejamos a aceitação justa apenas em razão de quem somos – novos contornos e novos significados para nossas escolhas tendem a modificar estruturas e engrenagens da Moda.

E nas palavras de André Carvalhal: “Então quer saber qual é a última tendência apontada pelos maiores laboratórios e especialistas do mundo todo, como Li Edelkoort, Future Concept Lab, WGSN e Box 1824? Aí vai: o fim da moda.” Mas calma! A afirmação aplicada no contexto social está longe de significar que estamos na antessala da indumentária ou de uma uniformização. Muito pelo contrário: o que se preconiza é o fim dos ciclos repetitivos de tendências comercialmente fabricadas a fim de um resgate da essência da moda. Queremos a moda capaz de acentuar nossa individualidade, de ajudar a expressar quem somos e como vemos a vida.

Um conceito sobre criação e produção desaceleradas de moda que desmonte a produção massificada e uniformizada propõe que se enalteçam as diferenças e os traços mais peculiares da personalidade de cada um. Pequenos ateliês ganham notoriedade e o status de grife por suas produções e trabalhos mais exclusivos e originais em razão da demanda pela expressão da individualidade. Trata-se de um trabalho mais ético em toda sua cadeia de produção e, sobretudo, quando esse trabalho chega nas mãos do consumidor na forma de produto final. Estamos, afinal, mais corajosos e ousados para expor nossa
singularidade. O que temos de diferente é que nos torna especial, mas só estamos enxergando isso agora.

Comprar só o que a gente realmente gosta (em menor quantidade inclusive), só o que de fato combina e fica bem na gente e repetir a roupa que gosta são apenas alguns dos comportamentos que tendem a ser cada vez mais frequentes.

Por óbvio, o futuro é sempre uma incógnita. Mas as sementes estão lançadas. Como proposta da nossa coluna, desejamos um 2018 com mais coragem, ousadia e atitude para sermos quem somos e para expressar isso de todas as formas. Que tenhamos sobre a moda, a consciência de que ela pode ser capaz de nos conduzir a um desenvolvimento pessoal através de nossas escolhas. Que a gente viva a moda capaz de contar histórias; que ela seja de fato arte, veículo de difusão de sonhos, ideias e criatividade. Afinal, Moda também precisa ter como propósito contribuir para a caminhada humana a um destino de mais ética, respeito e beleza.

 

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